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“Estou convencido de que a solução para a EN238 nascerá no seio da CIMT”

A Estrada Nacional 238 é – e sempre foi – uma via absolutamente estratégica para o desenvolvimento do nosso território e essa é uma realidade que não podemos escamotear.

Hoje, como há 50 anos, a sua influência é por demais evidente, pelo que falar deste assunto exige ponderação e, acima de tudo, alguma memória. A memória é importante para perceber que o traçado da EN238 que está agora na berlinda (Cernache-Ferreira do Zêzere) foi o último a ser concluído, na década de 1950. Este troço tinha na Ponte do Vale da Ursa, projetada pelo engenheiro Edgar Cardoso, um verdadeiro eixo de ligação entre as margens do rio Zêzere e – porque não dize-lo – entre o Norte e o Sul do país. Pena é que nunca se tenha olhado de uma forma séria e construtiva para esta realidade, sempre muito ausente dos debates e sem vozes que a defendessem. Mas a EN238 não começa nem termina aqui. Ela liga os concelhos do Fundão e Tomar, com passagem por Oleiros, Sertã e Ferreira do Zêzere. O primeiro problema está aqui. Quando discutimos a estrada parece que estamos a falar de um problema da freguesia de Cernache do Bonjardim ou do Concelho da Sertã e omitimos a sua verdadeira amplitude. Solucionar este problema exige um diálogo transversal entre todos estes municípios. O diálogo tem sido inexistente para um problema que não nasceu ontem e que está em cima da mesa há mais de 30 anos. Tive o cuidado de consultar algumas edições antigas do jornal «A Comarca da Sertã» e na década de 1980 eram já muitos os que alertavam para este problema. Por exemplo, em 1984, o secretário de Estado das Obras Públicas visitou Cernache do Bonjardim e ouviu as queixas da população sobre a EN238. Quem hoje fala com toda a propriedade sobre o tema como se, graças à sua ação, a estrada tivesse saltado para a ribalta, deveria ser mais contido.
Não gosto particularmente de quem pretende fazer da EN238 a sua coutada pessoal ou um argumento para promoção pessoal. Os populismos e as vaidades pessoais nunca resolveram problemas. Mais do que boas intenções, o que é necessário é uma discussão séria e aprofundada sobre o tema, envolvendo todos os atores da região. E como é que essa discussão se deveria processar? Talvez possa deixar aqui o meu contributo pessoal.

O primeiro ponto de análise prende-se com o tipo de intervenção que pretendemos e os moldes em que esta se deveria processar. Acredito que precisamos de um verdadeiro projeto de requalificação desta estrada, que lhe confira as condições de segurança e circulação necessárias e condizentes com a sua importância regional. Não esqueçamos as centenas de veículos que aqui circulam diariamente, muitos em movimentos pendulares ou transportando mercadorias. No entanto, a questão central é a de saber que tipo de traçado desejamos para este troço entre Cernache do Bonjardim e Ferreira do Zêzere? Será que pretendemos o perfil de IC adotado nesta mesma EN238 entre a Sertã e Oleiros? Uma coisa é certa: ninguém deve ser dono da verdade neste processo e qualquer solução deve ser acertada entre os municípios interessados, neste caso Sertã e Ferreira do Zêzere, mas sem descurar a intervenção dos outros concelhos servidos pela EN238. Sertã e Ferreira do Zêzere devem estar em consonância neste ponto, salvaguardando, contudo, os interesses do seu território, porque no concelho de cada um manda quem lá está e isso tem que ser respeitado. Serão necessárias cedências, com certeza, embora neste ponto penso que é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Há, aliás, uma situação que gostaria de chamar à colação e que está ligada com a adesão do Concelho da Sertã à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, onde Ferreira do Zêzere e Tomar também estão.

Estou convencido e muito esperançoso de que a solução para a EN238 nascerá no seio da CIMT. Mais uma vez, a escolha da Sertã por esta comunidade intermunicipal se revelou acertada. Gostaria, no entanto, de voltar à questão do traçado da EN238. Qualquer que seja a solução, é importante que esse futuro traçado inclua, por exemplo, a Vila de Cernache do Bonjardim. Não podemos afastar Cernache da EN238, a via que é o coração desta freguesia e, sobretudo, da sua vila-sede. É importante termos claro esta questão, para não cometermos um erro que nos custaria muito caro num futuro próximo. Este mesmo traçado deve ainda ter em atenção a ponte do Vale da Ursa, um autêntico ex-libris e cuja importância já foquei nesta intervenção. Muito se tem falado também da intervenção que o Governo tem prometido para esta parte do troço da EN238. Importa lembrar que esta fase de obras visa assegurar a circulação e os níveis mínimos de segurança até que ocorra uma intervenção de fundo. No entanto, não podemos permitir que se faça uma obra à pressa, comprometendo futuras intervenções. Por isso, é que temos de estar unidos e trabalhar de forma assertiva e rápida durante os próximos tempos. Estou convencido de que este Governo não fará a intervenção de fundo que todos desejaríamos, mas acredito que se o nosso trabalho for bem feito, se todos estiverem envolvidos, poderá ser ainda este Governo a deixar concretizado o projeto de uma futura intervenção. Acredito firmemente nisso. Mais atrasos numa intervenção de fundo nesta estrada acarretariam graves problemas económicos e sociais para toda esta região. Mas colocariam também a nu uma série de fragilidades desta via: um acidente ecológico com um camião que circulasse numa das muitas curvas da EN238, com derrame de matérias perigosas para o rio Zêzere, deixaria em risco a qualidade da água que é consumida em Lisboa. Talvez por aqui se perceba que o problema da EN238 também é nacional.

António JL Simões - Deputado Municipal

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