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A pandemia que vivemos atualmente veio trazer-nos grandes desafios, mas antes de mais, talvez seja importante contextualizar como é que aqui chegámos.

Apesar de nunca termos vivido nada assim, os nossos livros de História ajudam-nos a lembrar que as pandemias são fenómenos cíclicos.
Cada um de nós transporta consigo inúmeros fungos, bactérias e vírus ao longo de toda a vida, e alguns destes “organismos” são benéficos para o normal funcionamento do nosso corpo. Isto dá-se em resultado de milhares de anos de evolução em que nós, humanos, e estes “organismos” nos fomos adaptando mutuamente, a ponto de hoje dependermos mesmo de alguns deles (veja-se o caso das bactérias intestinais que são absolutamente indispensáveis na manutenção da nossa saúde). O perigo poderá surgir quando nos cruzamos com outros animais (animais selvagens) que transportam bactérias, vírus, etc. com os quais não estamos familiarizados. É no contacto com estes “organismos” que são transportados por animais selvagens que se pensa estar a origem da pandemia que hoje atravessamos.
Existem diferentes formas de lidar com o vírus responsável pela doença que conhecemos como COVID-19: alcançando a imunidade de grupo, encontrando um tratamento eficaz ou controlando a sua transmissão. Em teoria, consegue-se a imunidade de grupo tendo uma proporção elevada da população exposta ao vírus (de maneira a que as pessoas desenvolvam anticorpos de uma forma natural) ou desenvolvendo uma vacina que confira essa imunidade à população.
Sabemos que este é um vírus que se propaga muito fácil e rapidamente e que tem uma taxa de letalidade elevada. Por este motivo, permitir que um grande número de pessoas fique exposto ao vírus num curto espaço de tempo, poderia ter implicações dramáticas. Quando há 2 meses atrás se começou a observar que o número de novos infetados aumentava de forma exponencial a cada dia que passava, foi necessário implementar medidas, como o isolamento e a quarentena, que permitissem manter controlada a propagação da infeção, apesar das profundas implicações económicas que estas medidas trouxeram.

Sei que não é fácil para grande parte das pessoas compreenderem o motivo pelo qual as medidas de confinamento foram implementadas, e que muitas delas estão inclusive a passar por situações muito difíceis. Mas basicamente, se estas medidas de controlo da transmissão não tivessem ocorrido, os serviços de saúde teriam colapsado, o número de óbitos teria aumentado drasticamente e os impactos na economia teriam sido ainda mais acentuados. No entanto, a economia também não pode parar por tempo indeterminado, pois corremos o risco de o remédio ser mais letal do que a cura. Gradualmente, as medidas de controlo do contágio vão sendo aligeiradas e, por isso, é fundamental apelar ao bom senso e à responsabilidade que cada um de nós terá de ter daqui por diante. Não podemos viver eternamente confinados, mas também não podemos viver como se este novo vírus não estivesse em circulação, e vamos ter de nos habituar a conviver com ele por um período de tempo ainda incerto.
Apesar de tudo, penso que as perspetivas são animadoras, se não vejamos: no dia em que a COVID-19 foi declarada pandemia, já era conhecido o genoma completo do vírus (e das suas variantes) e um pouco por todo o mundo milhares de cientistas trabalhavam no combate à doença.

Apenas 5 meses depois de terem sido identificados os primeiros infetados, perto de uma dezena de vacinas estão já a ser testadas em humanos, nos ensaios clínicos, e mais de uma centena estão em fase de testes laboratoriais, nos ensaios pré-clínicos. Isto é um feito absolutamente notável. Inúmeros ensaios clínicos com medicamentos estão também a decorrer à escala global, para avaliar se eles são eficazes no tratamento desta doença. Temos farmacêuticas que colocaram de parte as suas rivalidades e que começaram a trabalhar lado a lado, para que um medicamento ou uma vacina seja encontrado o mais depressa possível. Em termos de divulgação científica, os conteúdos nesta área foram disponibilizados de forma gratuita mundialmente, para que não existisse qualquer entrave ao progresso científico.
O futuro é incerto, mas nunca, como hoje, estivemos melhor preparados para fazer face a uma situação como esta. Estou confiante que existirá uma vacina e que ela será disponibilizada em tempo record. Até lá, o sucesso na luta contra a COVID-19 está nos nossos atos e, literalmente, nas nossas mãos.

Telma Bernardo - Consultora Farmacêutica

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