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Na Zona Industrial da Sertã produz-se conhecimento. O Centro de Inovação e Competências da Floresta (SerQ) tem seis anos, a contar desde a data de assinatura da escritura de constituição, em maio de 2014. Cerca de ano e meio depois, em 2016, começou a sua atividade regular e a sua expansão no território da investigação tem sido notória.

A vontade é expandir cada vez mais, criar um polo em Cernache do Bonjardim e explorar outras vertentes de negócio, deixou claro Paulo Farinha Luís, presidente da direção do SerQ, em entrevista à Rádio Condestável.
Uma zona de incubação, o Fab Lab e os serviços que presta à população, bem como a investigação científica que coloca à disposição das empresas, são as áreas de atuação do SerQ. Os tempos têm demostrado a sustentabilidade económica deste projeto, o presente tem cimentado parcerias e o futuro trará novas visões e formas de atuação.

Rádio Condestável (RC) – Paulo Farinha Luís, como foi o início do SerQ?
Paulo Farinha Luís (PFL) – Somos uma associação recente. No dia 20 de maio de 2014 foi assinada a escritura de constituição desta associação. Fizemos este ano 6 anos, dos quais o primeiro ano e meio foi de candidatura para construção, fazer a  preparação da estrutura física. Assim, a nossa atividade regular começou em 2016. Temos quatro anos de atividade. Costumo dizer que o mais fácil é criar as instituições e as instalações. Difícil é o arranque da atividade e criar valor dessa atividade e interesse nos nossos Stakeholders.

RC – Mas qual foi a ideia inicial?
PFL - A ideia inicial tem muito a ver com conversas que tivemos com a Universidade de Coimbra e com o professor Alfredo Dias que hoje faz parte da direção do SerQ, que é também Vice-reitor daquela Universidade e que é da Sertã, e com a necessidade de fazer ensaios de longa duração que sempre se perspetivou que pudessem ser na sua terra natal. Chegámos depois à conclusão que podíamos ter aqui uma série de sinergias com o interesse manifestado pelo Município da Sertã e os objetivos da Universidade de Coimbra. Nestas conversas fomos fazendo somas e em maio de 2014 três sócios fundadores deram início a esta associação, ou seja o Município da Sertã, a Universidade de Coimbra e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Os dois últimos deram-nos um peso de arranque significativo e agradecemos o seu empenho, ajuda e trabalho, até porque no início muita gente achou que não iria ser possível ter o LNEC a formar no centro de Portugal, um laboratório para fazer investigação científica. Não só se enganaram como foi possível e o seu contributo é significativo. O representante do LNEC Saporiti Machado tem sido inexcedível na colaboração com este centro.

RC – Que benefícios acarreta o SerQ para a Sertã?
PFL – Em 2019, os rendimentos declarados no nosso Relatório e Contas são de 352 mil euros. O que a Câmara Municipal da Sertã (CMS) entrega ao centro é multiplicado por 10, ou seja, cada euro que a CMS entrega ao centro, nós conseguimos multiplicá-lo e investir 10. Além disso, um dos maiores contribuintes de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) da freguesia da Sertã para a câmara é também o SerQ. Para lá de salários, pagamos tudo a que as outras instituições estão obrigadas.

RC – Após os primeiros passos, os associados foram surgindo.
PFL – Sim. As instituições de ensino público da região Centro praticamente todas são nossas associadas e falamos das Universidades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior. Os Institutos politécnicos de Leiria, Castelo Branco, Tomar e Portalegre, o Instituto Superior de Agronomia, entre outras. Este crescimento contínuo está sempre assente na nossa ideia inicial de crescimento, ou seja, afinal o que é o SerQ? É uma fábrica onde diariamente entra e sai gente, onde há chaminés a deitar fumo ou camiões carregados com produtos? Não. O centro presta serviços para todo o país, incluindo ilhas, e somos uma associação científica, tecnológica, de formação, que tem como objetivo a investigação, o desenvolvimento experimental, a formação, a transferência de tecnologia, consultoria, certificação, validação de produtos e soluções. No fundo o que nos interessa é produzir e transferir conhecimento para as empresas que operam no mercado. Se formos bem-sucedidos na nossa missão, quem vai ganhar são as empresas e os centros de conhecimento que connosco trabalham.

RC – Pode dizer-se que o SerQ é, também, uma extensão dos laboratórios dos vossos associados.
PFL – Somos um complemento pois todos eles também fazem este trabalho, mas para consolidar e desenvolver os produtos e soluções que temos em casa há muitas horas de investigação por trás, seja uma cadeira ou uma mesa. Fazemos investigação sobretudo para a área da madeira. O que gostávamos era que a madeira de Portugal deixasse de ser vendida quase como matéria-prima e passasse a ser vendida com outro valor acrescentado. Não gostamos que o nosso país corte e exporte os rolos de madeira quase em bruto e depois tenha que importar as vigas do norte da Europa a preços tremendamente elevados, ou então que eu esteja a produzir um produto de madeira e depois tenha que o ir certificar a Espanha ou a França porque não tenho soluções em Portugal. Queremos, assim, que Portugal possa fazer isto e que possa incorporar na nossa economia o máximo de valor acrescentado e isso só é possível se trabalharmos com esses laboratórios complementares ao nosso.

RC – A investigação é um dos vossos objetivos, mas têm outros...
PFL – Sim, temos mais dois e são mais significativos para o concelho e para a região. Falo da parte de incubação de empresas que atrai empresas que venham para o concelho e que criam emprego e atividade na Sertã e da parte de formação e Fab Lab.

RC – Quantas empresas estão incubadas de momento?
PFL – Inicialmente só tínhamos quatro espaços para incubação, mas dado os pedidos que nos chegaram, um dos lugares dividimo-lo em três. Temos então o Lab Seal, cujo CEO é de Cernache do Bonjardim, que faz, entre outras coisas, desenvolvimento de software ou aplicações móveis. Ainda a Geoterme que desenvolve soluções tecnológicas que permitam a utilização racional da energia e a Present Technologies, uma empresa de Tecnologias de Informação. Temos a Getmood e a BeeRural que, apesar de já não estar lá fisicamente continua a ter a sua sede lá.

RC – Quais as vantagens diretas desta incubadora?
PFL – Os postos de trabalho que são 10. Para regiões necessitadas como a nossa, é um número significativo. Há pessoas que não tinham ligação direta à Sertã e agora têm casa cá, nomeadamente na Cumeada. Se a estes 10 somarmos mais 11 que trabalham no SerQ, temos lá 21 pessoas todos os dias e com uma perspetiva de crescimento significativo.

RC – E há mais empresas interessadas em preencher os espaços de incubação do SerQ?
PFL – Sim, temos pedidos mas temos que os analisar em termos de espaço, algo que agora não temos, no entanto é possível que as empresas tenham ali uma incubação virtual, ou seja, fazemos o serviço de expedição de encomendas, o empresário usa a nossa internet e pode lá receber os seus clientes ou fazer as suas reuniões sem lá estar.

RC – E é possível crescer fisicamente?
PFL – Sim. O edifício físico do SerQ desenvolve-se em ‘U’ e qualquer uma das laterais são possíveis de crescer. Foram projetadas para que, se no futuro entendermos aumentar as instalações, tal seja possível. Mas também é possível por outra via, já que o Município da Sertã tem intenção de abrir um espaço de incubação e trabalho na vila de Cernache do Bonjardim. Já foram dados alguns passos nesse sentido e também já foi feito um estudo. Temos algumas ideias inovadoras, achamos que são diferentes e estamos a trabalhar também nisso. Mas é uma resposta do SerQ a um pedido de um dos nossos associados a que os outros todos acordaram.

 RC – Estamos a falar de que tipo de inovação? Como vai funcionar este polo?
PLF – O Município da Sertã adquiriu recentemente o edifício dos antigos correios na vila de Cernache do Bonjardim. Há-de agora remodelá-lo e quando estiver pronto fará a gestão ao SerQ (o património pertence à câmara mas esta faz protocolo com outras instituições para o gerirem). O que nós queremos aqui é um espaço que vai permitir quatro ou cinco atividades de forma diferente. Vai permitir que a empresa tenha o seu espaço fechado, terá depois uma outra vertente que, tendo sido pensando anteriormente à Covid-19, vai responder aos desafios que se colocam daqui para a frente. Está estudado e pensado de tal forma que a pessoa que trabalha para a empresa A ou B pode lá ir e pode trabalhar a partir dali, ligar-se ao seu mundo de trabalho a partir deste espaço. É um conceito a que chamamos de Smart Work Place.

RC – Outra vertente do SerQ é o Fab Lab. O que é que se faz neste espaço, a quem se destina?
PLF – O FabLab entronca com outra vertente do SerQ e que é responsável pelas formações, seminários ou workshops. O FabLab não é mais do que um espaço de impressão, não é no papel mas em todo o resto. Podemos imprimir em 3D na madeira, no plástico ou no alumínio. O limite é a imaginação e a criatividade de qualquer pessoa. Dá para fazer mesas de madeira, troféus, mobiliário de jardim ou viseiras. É uma fábrica de pequena dimensão.
Na máquina CNC de grandes dimensões dá para fazer uma peça com dois metros a dois metros e meio de comprimento. Já tivemos alguns alunos a fazer os seus trabalhos de fim de curso e a fazer as suas teses. Por exemplo, ainda há pouco fizemos um parque de merendas inteiro a partir de madeira de acácia que está colocado numa zona de baldio em Pedrógão Pequeno. Aquilo que era um problema neste momento, é agora um parque de merendas. Foi um projeto da Junta de Freguesia de Pedrógão Pequeno, mas poderia ter sido de outro sítio qualquer. Este parque resultou de um projeto que estávamos a fazer na tentativa de encontrar valor para a madeira de acácia. A junta aceitou o nosso desafio e o parque está lá.
Também as escolas usam o nosso FabLab, os alunos e algumas empresas que querem fazer trabalhos de acabamento. Por exemplo, podem contratar a CNC à hora, em vez de gastarem 30 ou 40 mil euros para fazerem um trabalho. É uma vertente muito usada pela câmara municipal. A Junta de Freguesia do Castelo ainda há pouco foi lá marcar e concluir todas as mesas de piquenique que tem.
Encostado a este FabLab temos trabalhado com todas as escolas da região. Por exemplo, os alunos de ciências passam regulamente por lá iniciando os seus anos letivos naquele espaço. Usam o microscópio de grandes dimensões e por exemplo veem o nemátodo, aquele inimigo das nossas florestas de pinho bravo. É também da responsabilidade do FabLab a organização dos cafés com ciência, iniciativa aberta à população onde todos os meses nós abordávamos as mais variadas temáticas em colaboração com o Exploratório de Ciência de Coimbra. Confessaram-nos que ficavam espantados com a adesão das pessoas. Ali falámos de matérias tão diversas como insónias, cogumelos, mel, coração, cozinhar com algas ou sobre o vinho, só para dar alguns exemplos. O que ali se fazia era descomplicar a ciência e mostrar como ela estava presente no nosso dia a dia.

RC – Regressando à área da investigação. Que projetos concretos estão a ser ou foram desenvolvidos na Sertã?
PLF – Antes de responder quero frisar que este caminho só foi possível trilhar porque a Universidade de Coimbra e o LNEC nos têm emprestado a sua credibilidade nacional e internacional.
Podemos começar por alguns projetos que já terminaram em 2019 em particular alguns que nos são “muito queridos”. Um deles foi o INOV C que pretende criar novos produtos e serviços resultantes da investigação para a Zona Centro. É tão mais significativo que o Município mais do interior que consegue participar neste tipo de projetos é o da Sertã e de Abrantes. Participaram neste projeto parceiros como, entre outros, os politécnicos de Coimbra, Leiria e Tomar, o Instituto Pedro Nunes ou a TagusValley. Este projeto terminou o ano passado.
Outro que também já terminou que foi o Build From Forest, que se destinava à criação de edifícios de madeira de elevado desempenho. O objetivo era trabalhar com outras entidades a fim de saber como é que a madeira se comporta nos edifícios e saber qual é a aplicação prática que a madeira tem na construção civil.
Temos dois projetos muito similares que também já terminaram e que visavam saber de que forma a madeira pode ser tratada antes de ser aplicada na construção, como pode ser colada para que depois não empene ou descole. Muitas vezes está ali uma empresa à espera de criar um produto novo que possa vender e ganhar dinheiro.
A decorrer temos um projeto de um edifício de madeira. Temos instalado na nossa nave de investigação um edifício de dois andares em madeira e o objetivo é criar estruturas modulares de madeira para que seja possível fazer um edifício com vários andares, só com madeira. A ideia é saber se é possível montar estes módulos no local onde o edifício vai ser construído, tipo “lego” e ficarmos com um hotel que pode ter os andares que quisermos. Neste caso este projeto está a ser desenvolvido pelo Politécnico de Castelo Branco e com uma empresa privada.
Temos um outro projeto que vai trazer uma mais-valia acrescida ao Município da Sertã e que visa estudar a ligação que há entre as peças de madeira e de betão. Esse projeto previa a construção de uma ponte e o ensaio não é destrutivo (no final do projeto vai sobrar uma ponte) e o Município vai ficar com ela para a colocar num lugar definitivo no concelho. Se o conhecimento resultar significa que nós podemos fazer, através daquela tecnologia de produção, pontes em madeira.
Temos um outro que é o Interface Segura que estuda a segurança  e a resiliência do fogo e das zonas de interface florestal/urbana e estuda a forma como nós podemos segurar este flagelo que é o dos incêndios.
Temos ainda o Woodmarkets que visa a transformação digital ao serviço da indústria da madeira no espaço entre Portugal e Espanha e outro que estuda a reutilização dos postes de pinho bravo para outras utilizações.
Outro que é o Hybridlogshiel que pretende que as barreiras que vemos nas auto estradas para quebrar o ruído e as radiações eletromagnéticas sejam feitas à base de troncos de madeira. Outro projeto visa dar valor à madeira de acácia, para que um problema seja transformado numa questão rentável.
Estamos a desenvolver um outro com o Governo Regional dos Açores através da Azurina. É um desafio da Secretaria Regional da Agricultura para encontrar mais valia para a madeira da criptoméria, uma árvore em expansão naquele território cujo valor não está valorizado tanto quanto eles gostavam. A Azurina fez um consórcio e nós estamos a trabalhar com eles para ver que valor é que esta madeira pode ter. A sua curiosidade é que tem um grande volume e um baixo peso, o que significa que a sua resistência é muito baixa. Temos que ver em que medida podemos usar esta madeira para ter um valor significativo no mercado e criar valor. Realizámos uma webinar que resultou muito bem e isso criou muito boa imagem nos nossos parceiros e agrado naquilo que é o nosso trabalho com a Azurina, que ficou satisfeita connosco. Para nós foi um momento de promoção perante outros parceiros. O seminário foi aberto pela Secretaria Regional de Agricultura do Açores.

RC – E há projetos em carteira?
PFL – Sim, temos dois que ainda não estão em execução mas que estão candidatados. Estamos confiantes que vão ser aprovados e que trazem uma dupla vantagem para nós. Um deles candidatámo-lo aos recursos altamente qualificados. Na região centro ainda só tivemos uma entidade que conseguiu esse projeto aprovado. Candidatámos nove recursos. São mais nove pessoas para virem trabalhar para o SerQ com remunerações que estão para lá do dobro do salário mínimo nacional. Queremos atrair gente que possa produzir este conhecimento. É um projeto para ser desenvolvido em três anos, vale algumas centenas de milhares de euros para o SerQ nos próximos anos e depositamos nele uma grande esperança.
O outro é um consórcio das incubadoras da região centro. Praticamente todas estão neste consórcio e o SerQ não podia faltar. É um projeto cuja candidatura será feita nos próximos dias.
Há outro projeto que está em fase final de aprovação e é o primeiro onde entramos para liderar um consórcio, o que nos orgulha. O valor global da candidatura ultrapassa os 4 milhões de euros e temos entidades como, entre outras, a Associação da Indústria da Madeira, o CAATA de Castelo Branco, O Centro de Ciência Viva da Floresta de Proença-a-Nova, a CIM de Dão Lafões, os Politécnicos de Coimbra, Leiria, Viseu, a Forestis, o Fórum Florestal, o LNEC, a Pinhal Maior, Universidades da Beira Interior, de Aveiro e de Coimbra ou a Resipinus.
Este projeto foi desenhado antes dos grandes incêndios de 2017. Para nós era um problema criar valor na floresta, da floresta e a partir da floresta. Estes flagelos só vêm demostrar que tínhamos razão. Há muitas ações piloto desenvolvidas por cada uma destas entidades. Por si só podem não valer mas em conjunto podem valorizar a floresta e podemos deixar de ter incêndios. Relembro que este projeto é de antes de 2017. Está agora em fase final de aprovação.

RC – Em concreto que ações tem?
PFL – Temos uma ação de seleção e multiplicação de plantas, outra de produção em massa dessas mesmas plantas, avaliação do potencial produtivo dos espaços florestais, outra que é a demonstração das técnicas e ferramentas de limpeza florestal e ainda sobre as plantas invasoras, demonstração do potencial das espécies alternativas para a floresta, ações no âmbito do medronho, cogumelos, certificação e produção de produtos ou a valorização das folhosas e espécies autóctones. Para cada uma destas entidades, na sua medida, a sua ideia é a mais importante do mundo e se conseguirmos tratá-la como tal, talvez tenhamos um futuro e economia melhores.

RC – Isso deita por terra o mito de que as universidades estão afastadas do meio empresarial!
PFL – O Centro responde a uma série de intenções que cada uma das entidades que colabora connosco tem, ou seja a câmara, o LNEC, as Universidades têm uma série de objetivos que o SerQ tem que responder. Por vezes existe um fosso muito grande entre o conhecimento na universidade e a forma de o fazer chegar às empresas que usam todos os meios para que isso seja uma realidade. Na prática, é difícil chegar a uma serração, que toda a vida trabalhou de uma certa forma e a ganhar dinheiro, e dizer aos proprietários que podem fazer diferente e assim ganharem mais. Por exemplo é o nosso trabalho ir aos gabinetes de arquitetura e dizer-lhes que se passarem a desenhar em madeira, em vez de ser em ferro e betão, estão a valorizar o nosso produto, a criar conforto e é melhor para a economia nacional. Esta aproximação demorará décadas a fazer mas as empresas estão mais despertas e os centros de conhecimento também sabem que isso é uma diferença grande mas estão apostados em reduzi-la. Mais uma vez, é um trabalho que não se vê.

RC – O SerQ também trabalha muito com os alunos. Eles vêm aqui fazer as suas teses.
PFL – Em 2019 tivemos o primeiro aluno que concluiu o doutoramento com distinção no SerQ. Foi o Carlos Martins. Temos outro aluno, o André Dias que tem a sua tese quase pronta. Ele é de Proença-a-Nova. E temos mais alunos a fazer doutorados e mestrados sejam alunos nacionais ou estrangeiros. Neste momento temos um aluno brasileiro a fazer uma bolsa de três meses.

RC – Esse prestígio vem do facto de terem duas bases sólidas.
PFL – É muito significativo. Quando usávamos a marca SerQ há quatro anos, diziam-nos: "Ser o quê?". Ou seja, ninguém sabia o que era. Hoje já sabem. Por exemplo, fizemos recentemente um acompanhamento de uma obra em madeira para o Município de Ourém. A empresa fiscalizadora daquela obra sentiu necessidade de recorrer aos nossos serviços, pois sentiu que havia necessidade de um conhecimento mais profundo quando ia verificar se a obra estava a cumprir os requisitos do caderno de encargos. Ainda fazemos pouco destas prestações de serviços mas acreditamos que sejam cada vez mais usadas e é possível, o SerQ vir a fazer revisões ou acompanhamentos de projetos ou fiscalização de obras.

RC - Será mais uma vertente?
PFL – Sim e isso também nos cria sustentabilidade no nosso próprio negócio. A receita arrecadada vai permitir que o SerQ cresça. Reafirmo que por cada euro que nos deram, nós multiplicámo-lo por 10.

RC – Tem parcerias a nível nacional e internacional?
PFL – Já temos aqui num dos projetos que está em execução que é uma entidade nos Estados Unidos para esta área da madeira. Já tivemos com Espanha e França e sim, queremos criar mais alguns com outro tipo de entidades. Estamos disponíveis para trabalhar com qualquer parceiro que possa aparecer, até porque o conhecimento que puxamos deles é para nós muito importante. Tal como estamos muito interessados em que algumas coisas que não é possível fazer em Portugal, possamos nós fazer com que as empresas nacionais deixem de ir fazer certificações ao estrangeiro. Temos algumas intenções e trabalho feito nesta área da certificação.

RC – O SerQ caminha para um bom futuro?
PFL – O SerQ caminha sempre com perspetiva de um bom futuro mas este será sempre aquilo que as entidades quiserem que seja. O que queremos é empenho e vontade dessas entidades.


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