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O distrito de Castelo Branco, tal como qualquer outro distrito do interior tem vindo a assistir paulatinamente ao seu esvaziamento populacional.
Para se ficar com uma ideia mais concreta da sua situação real, 86% das 122 actuais freguesias do distrito, têm menos de 2.000 habitantes.
Estas 107 freguesias, muito dificilmente, terão qualquer capacidade de regeneração no futuro, pelo que, só os “pequenos milagres” as vão mantendo, enquanto comunidades plenas.
Nesse contexto, se não forem tomadas medidas de apoio às vilas e cidades que ainda polarizam a fixação da população, nomeadamente, medidas de apoio às famílias, no seu início de construção familiar, onde a creche e o pré-escolar, possuem uma relevância preponderante dessa construção, corremos o risco de termos um futuro sem sustentabilidade, pela ausência de crianças e de jovens, pela ausência de quem, amanhã, de forma activa, possa também garantir o futuro dos idosos.
O Pinhal Interior Sul é a Região com a taxa de actividade mais baixa do país; Apresenta um valor do pib per capita 27,16% mais baixo do que a média nacional; Possui o índice de poder de compra mais baixo do país (64,4%) e é a Região mais envelhecida da Europa.
Este índice de envelhecimento que o nosso distrito apresenta e que é transversal a uma grande parte do território nacional, mesmo que inconscientemente, leva-nos a centrar a nossa atenção nas valências destinadas ao apoio aos idosos, esquecendo-nos bastas vezes que a taxa de actividade e o apoio aos idosos, no futuro, depende, igualmente, da vida activa dos jovens e do nascimento das crianças.
Anatole France, afirmou, e cito: “o futuro está oculto atrás das mulheres e dos homens que o fazem”. Tenho, igualmente, a mesma convicção: — o futuro não existe… o futuro constrói-se todos os dias!
É, por isso, imperativo, que nos centremos, com maior acuidade, nas valências dirigidas à infância, pois, se assim não for, corremos o risco de não construir o futuro.
Não faz qualquer sentido, estarmos constantemente a dizer que não temos crianças e a “penalizar” as mulheres que trabalham e que pretendem ser mães.
Não faz qualquer sentido repetir constantemente que não temos crianças e, não criar condições reais de apoio às famílias para que as mesmas, possam ter os seus filhos, sem sobressaltos ou preocupações.
Nada tenho contra as opções individuais de cada um e, por essa razão, nada me move contra o apoio por parte do Estado às interrupções voluntárias da gravidez.
O que eu não entendo é a falta de apoio por parte do Estado aos casais que, por impossibilidade, gastam pequenas fortunas, para que possam conceber o nascimento de uma criança, num País esvaziado de crianças e jovens…
Existem Instituições no nosso distrito em que 80% das crianças, nas valências da infância, liquidam mensalidades inferiores a 85,00 €. E, este valor, pouco mais paga do que as refeições de uma criança.
Existem Instituições no nosso distrito que servem mais de 20 crianças sem qualquer comparticipação por parte do Estado.
Se por um lado, eu entendo a comparticipação do Estado para 80% das camas existentes em Lares, tenho alguma dificuldade em entender que essa comparticipação para as valências dirigidas à infância não seja de 100%.
Tenho, ainda, mais dificuldade em entender, se atentarmos aos constrangimentos referidos anteriormente, que limitam a capacidade das famílias no pagamento das mensalidades para os seus filhos.
As chamadas empresas do sector social (Misericórdias, IPSS’s e outras) realizam um trabalho diário a todos os títulos extraordinário, conseguindo, algumas delas, fruto de muito trabalho, planeamento e uma estratégia sistematizada contrariarem a tendência de decréscimo das crianças nas suas valências e superar até o número de crianças existente no final da última década.
Mas… Não é possível, aprofundar ou até continuar a ter um “olhar social” sobre as comunidades e as famílias, enquanto a ausência de comparticipação, por parte do Estado ou o custo a suportar pelas instituições, para a infância, representar mais de 50.000,00/Ano.
Não sou, nem nunca fui pessoa para dramatizar situações ou problemas mas, é minha convicção profunda que dentro de 5 a 10 anos, a situação da grande maioria para não dizer da totalidade do território nacional, será dramática, pela ausência de trabalhadores no mercado de trabalho. E esta situação irá ter repercussões graves tanto nas instituições com nas indústrias do nosso País.
O problema do País, nas próximas décadas, não será nunca a falta de idosos e, sim, a falta de quem os apoie ou preste serviços.
Tal como disse, há dias, o Dr. José da Silva Peneda, num artigo de opinião no “Solidariedade”: “A Europa fabrica mais caixões do que berços”.
E, é esta situação que é urgente inverter…
É, por isso, imperativo e inadiável que o Estado e as Autarquias apoiem a maternidade e a “construção de berços”.

Joaquim Filipe Patrício


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