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O escritor Afonso Reis Cabral visitou a Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, na Sertã, na passada sexta-feira (3 de maio). A visita aconteceu no final de mais uma etapa do desafio que o escritor, vencedor do Prémio Leya em 2014, abraçou de percorrer a pé a mítica EN2.

Esta jornada pedestre do conhecido escritor, trineto de Eça de Queiroz, vai levá-lo a percorrer os 738 quilómetros da EN2. Durante a visita à Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, Afonso Reis Cabral foi recebido pelo Adjunto do Presidente da Câmara Municipal da Sertã, António José Simões, com quem trocou algumas impressões sobre o espaço e também sobre a EN2.
Afonso Reis Cabral cumprimentou ainda toda a equipa da biblioteca e autografou o seu livro “O Meu Irmão”.
Na noite de 3 de maio, o escritor pernoitou na Sertã, depois de uma viagem a pé durante o dia entre Pedrógão Grande e a Sertã. Afonso Reis Cabral mantém um diário de bordo, na sua página de Facebook, onde deixou algumas impressões da viagem que o trouxe até à Sertã: “(…) Perto da Amieira, um homem aplanava a terra com um tractor, contornando as oliveiras com destreza. Ia pedir-lhe que me ensinasse a guiar o tractor quando ele saltou do banco e se pôs a cismar num dos pneus, que esguichava. Incapaz de o ajudar com o furo, disse-lhe “Ao menos não vai a pé para Faro, como eu”; e ele lá ficou, aliviado por só ter de mudar um pneu. Entretanto, eu e as minhas sapatilhas estamos tantas horas juntos, e elas servem-me tão bem, que à noite me apetece dar-lhes um beijo e levá-las comigo para a cama. A meio caminho entre Pedrógão e a Sertã, (…) depois de me sentar em cima de urtigas percebi que não empacotara comida suficiente. Tenho assim dois condões: a pontaria e a previdência. Sem cafés à vista, chamei uma senhora recolhida no seu quintal para lhe pedir indicações. E comida. Ela estranhou, disse que não tinha nada. Quando me viu prosseguir é que se decidiu. Não tinha nada mas deu-me tudo o que tinha: uma maçã e uma fatia de bolo do padeiro, como lhe chamou. Bastou-me para chegar ao café da Póvoa da Granja, onde me serviram um caldo verde da panela da família. “As autoridades só querem inox, multam tudo, não me deixam servir esta sopa”, disse-me a dona. E eu pensei que as autoridades nunca proibiriam aquela sopa se a comessem. Nas paredes havia fotos de cavalos com flores, de crianças com cavalos, calendários e o horário de atendimento da Dra. Cielos, que trata o mau-olhado às segundas. Antes da Sertã, aconselhado pelo caldo verde, deitei-me à sombra de um sobreiro e adormeci”.
No final da visita, ficou a promessa de Afonso Reis Cabral regressar em breve à Sertã para uma estadia mais demorada.

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