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Sertã, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Oleiros... Assinalaram-se este ano, 45 anos da Revolução dos Cravos. Um pouco por todo o país viveu-se um dia de memórias, umas mais vivas do que outras, pois, passados 45 anos, existe uma geração que tem a democracia e a liberdade como dados adquiridos.


Sertã assinalou a data com arruada e concerto

No concelho da Sertã durante a manhã de ontem, 25 de abril, a Filarmónica União Sertaginense (FUS) fez uma arruada pela sede de concelho e à tarde repetiu a iniciativa em Cernache do Bonjardim. Nesta Vila, a filarmónica percorreu algumas das artérias mais emblemáticas e “mais populosas”, explicou Fernando Ferreira, da direção da FUS. “Fomos também ao lar e vimos nos rostos dos utentes que foi um bom miminho e tentámos, junto das instituições da vila, recordar o 25 de Abril", acrescentou.
Uma das paragens da FUS aconteceu em frente à sede da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais onde Filomena Bernardo, presidente da edilidade, destacou este “ato simbólico, mas de grande importância para a Vila”, lamentando “não festejarmos mais esta data em todo o concelho”.
Este foi o primeiro ano que a banda percorreu as ruas de Cernache do Bonjardim. À tarde decorreu, na Casa da Cultura da Sertã, um concerto com "Os Cantautores".

Pedrógão Grande trouxe ex-capitão de Abril 

O “moço Beato” como lhe chamava Salgueiro Maia, capitão que comandou as tropas a partir da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, esteve ontem em Pedrógão Grande para falar aos jovens sobre o dia da Revolução, feita por jovens como eles, com pouco mais que 20 anos.
Carlos Beato, ex-capitão de Abril falou desse dia, recordou histórias com a do Cabo José Alves Costa que desrespeitou a ordem de um brigadeiro.
Neste concelho aconteceu igualmente uma sessão solene, na qual António Tomaz Corrêa, presidente da Assembleia Municipal, lembrou os três “D’s - Democratizar, Descolonizar e Desenvolver, além do “D” da desertificação. A tragédia do 17 de junho de 2017 veio acentuar este conceito, sendo que pouco se tem feito para contrariar o que aconteceu nessa data. “O risco de poderem continuar a acontecer situações destas está a ser construído, paulatinamente, todos os dias. Não observamos medidas de ordenamento da floresta e de construção de uma nova economia para esta região”, contestou.
Na opinião de Valdemar Alves, presidente da câmara municipal, e que viveu a efeméride com uma grande fervor, é preciso que o dia 25 de Abril, o da liberdade para todos, seja “para sempre, para se manter, com clareza e praticar a verdade, a democracia, a liberdade, mas uma liberdade com respeito uns pelos outros”, desejou.

Figueiró dos Vinhos quer dar cada vez mais destaque à data

O hastear da bandeira nacional ao som do Hino Nacional tocado pela Filarmónica Figueiroense, na presença da fanfarra dos bombeiros com um pelotão de bombeiros, um pelotão de cadetes e os escuteiros, deu início às comemorações desta efeméride em Figueiró dos Vinhos.
Jorge Abreu presidente da câmara local, considerou importante envolver a população, em especial os mais novos. “Estamos gradualmente a tentar reforçar a representação do 25 de Abril para os nossos jovens não se desligarem completamente”.
Assim, o concelho deu o exemplo uma vez que, após aquela parada, seguiu-se uma representação histórica levada a cabo pelo Leirena Teatro, que envolveu diversas coletividades do concelho. Apesar do dia ter sido chuvoso “verificou-se uma adesão significativa de pessoas e é isto que temos que continuar a fazer”, ilustrou o autarca.

Para Oleiros não há 25 de Abril enquanto houver desigualdades territoriais

O concelho de Oleiros assinalou a efeméride com uma sessão solene no jardim municipal, onde se destacaram as intervenções políticas por parte dos eleitos da Assembleia Municipal e do presidente da câmara. Regina Fernandes presidente da Junta de Freguesia Estreito-Vilar Barroco, da bancada do PSD evocou o facto de, como mulher, mãe e autarca, ter oportunidade de se expressar publicamente, e esta foi uma das conquistas de Abril. No entanto, passados 45 anos, os desafios são diferentes, centrando-se na preservação do “meio ambiente e do património, prevenir catástrofes e acidentes, criar e educar os nosso filhos, cuidar dos mais velhos, tentar evitar a desertificação do nosso território e manter a liberdade, uma missão cada vez mais difícil”, considerou, falando ainda das assimetrias “grandes”, entre o litoral e o interior e deixando tembém um agradecimento a todos os que, ao longo destes 45 anos, têm contribuído para que viver seja possível com democracia.

Fernando Dias, do “Nós Cidadãos”, começou por reforçar a ideia de que a liberdade conquistada “não caiu do céu, muitos lutaram por ela”. Com esta conquista acentuou-se um problema para o qual não há ainda remédio, ou seja a desertificação de uma grande fatia do território chamado de interior. "Em Oleiros temos melhores escolas mas quase sem alunos, serviços públicos modernos, mas com menos utentes, localidade com mais acessos mas com ruas desertas, lojas vazias e cada vez mais casas fechadas”, ilustrou, deixando no ar várias questões, nomeadamente, “porque é que somos cada vez menos se aqui temos, como julgamos, uma boa qualidade de vida. O que nos falta? E como podemos consegui-lo?”.
A Revolução dos Cravos foi um abrir de portas para a igualdade de tratamento em todas as áreas. Passados 45 anos há ainda um longo caminho percorrer e Fernando Jorge, presidente da Câmara Municipal de Oleiros lembrou que “não há 25 de Abril quando municípios como o de Oleiros, que abastece de água a grande Lisboa, a paga mais cara que os municípios dessa zona, que paga a taxa do lixo cinco a seis vezes mais cara que Lisboa e não há 25 de Abril enquanto municípios como o de Oleiros não beneficiarem das mesmas regalias, de descontos na mobilidade e das mesmas prorrogativas como os municípios de Lisboa e arredores”, exemplificou.
Para o autarca, “esta desigualdade teve o seu auge na injustiça que foi feita a uma família deste concelho”, disse, lembrando a decisão do Governo em não indemnizar a família do trabalhador que morreu a combater o incêndio de 7 de outubro de 2017. “É por isso que estamos a processar o estado, para que faça o 25 de Abril e para que ele seja para todos”.
A esta sessão seguiu-se um momento de poesia com Filomena Pedroso e a atuação do grupo de professores da Academia de Música de Coimbra com a participação dos alunos do Atelier Musical e do grupo Academia com Vida de Oleiros.

Castelo Branco homenageou atletas da APPACDM

Castelo Branco assinalou o 45º aniversário do 25 de Abril com uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal, após a qual a câmara prestou homenagem aos cinco atletas da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Deficiente Mental (APPACDM) de Castelo Branco, que representaram Portugal nos Jogos Mundiais Special Olympics.
Luis Correia, presidente da autarquia albicastrense deixou a ideia de que 45 anos depois existe “uma dualidade de sentimentos”. Por um lado mostrou-se esperançado num futuro melhor sonhado pela revolução, por outro lado apreensão pelo rumo, nem sempre auspicioso, nem sempre claro para os portugueses” disse.
O autarca condenou políticas que originam movimentos inorgânicos que nascem, por exemplo nas redes sociais e que conduzem “ao totalitarismo, intolerância e ditadura”. Assim sendo lançou um desafio a todos, para que reflitam “de forma séria, detalhada e rigorosa sobre o que está a acontecer no nosso concelho, sobre a prática política, e o que ela tem trazido ao concelho”.
Como sinal de esperança no futuro deixou o reconhecimento a todos os que trabalham e dirigem a APPACDM de Castelo Branco de onde saíram recentemente vários campeões nos Jogos Mundiais Special Olympics. O autarca destacou o “mérito” dos utentes Noel Gonçalves (medalha de ouro no judo), João Teixeira (medalha de prata – equipa de futebol 7), Rita Almeida (medalha de bronze no judo), Rafael Louro (medalha de bronze na natação) e João Gomes (medalha de bronze em ténis de mesa).

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