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ACAPO de Castelo Branco realiza consultas na Sertã... A delegação de Castelo Branco da Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal (ACAPO) proporcionou, no passado sábado, 23 de março, um jantar sensorial, no sentido de dar a perceber a dificuldade de comer uma refeição de olhos vendados.

A vontade de realizar este jantar às escuras na Sertã deveu-se ao desejo de descentralizar estas iniciativas, até porque a delegação já vem ao concelho, à sede da junta de freguesia, todas as últimas terças-feiras de cada mês, lembrou Sofia Lourenço, da ACAPO. Nestas presenças, “podemos atender todas as pessoas com deficiência visual e seus familiares”, disse, desvendando que, quando se deparam com um cenário de cegueira, ficam “um pouco perdidas e não sabem o que está disponível para elas”. Os profissionais começam por fazer uma avaliação psicossocial e depois tentam encontrar respostas, por exemplo nas aprendizagens da bengala, de braile e de informática.
Cátia Ferreira foi uma das participantes neste jantar às escuras. No final confessou à Rádio Condestável (RC) que a maior dificuldade foi em “encontrar os acompanhamentos, comer sem que ele caia e encontrar os copos sem entornar o líquido”. Quanto à experiência foi “única”, descreveu.

Para Hugo Carvalho, não foi a primeira vez mas a experiência é sempre diferente, até porque a ementa também o é, disse, recomendando “a toda a gente” que participe neste tipo de iniciativas.
José Nunes, presidente da Junta de Freguesia da Sertã, não poderia ter ficado mais sensibilizado com a sua participação no evento. Na sua mesa estive um casal, sendo que um era completamente cego e o outro via apenas 5% de uma vista. Confessou-se comovido e também triste pois, “nós terminamos o jantar e podemos tirar a venda e voltar à nossa rotina normal”, aludiu, ciente de que a cegueira “é um problema gravíssimo”.
Graça Gerardo é presidente da mesa dos representantes da ACAPO, natural da Sertã e professora de português. No início da sua carreira, para chegar à escola tinha que apanhar cinco meios de transporte diferentes. No processo de aprendizagem deste e de outros trajetos, destacou os ensinamentos de um técnico que a ajudaram a usar a bengala, objeto essencial para levar uma vida o mais normal possível. “É fundamental”, disse, incentivando igualmente as pessoas a “perderem o medo e a vergonha e a aprenderem a andar com a bengala pois permite-nos ir para todo o lado, à nossa vontade sem ter que estar a depender de alguém”, motivou.
O problema maior da sociedade são as barreiras arquitetónicas que ainda impedem as pessoas com cegueira poderem andar sem problemas. Graça Gerardo tem a certeza de que, se existisse um passeio de Cernache do Bonjardim até à Roda, onde tem casa, poderia ir e vir sem qualquer problema.


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