Em conferência de Imprensa... A propósito da reportagem da estação televisiva TVI, que colocava em causa a entrega dos bens doados para as vítimas dos incêndios de 2017, o presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, explicou este domingo, 24 de fevereiro, numa conferência de imprensa que disse ser para “tentar esclarecer sobre a verdade dos factos”, que a autarquia se limitou a ceder espaços para acolher os donativos, rejeitando suspeitas de favorecimento.
A autarquia refutou as acusações de favorecimento e açambarcamento de ofertas relatadas pela TVI e o autarca pedroguense reafirmou a transparência do processo por parte da autarquia, e defendeu a vice-presidente Margarida Guedes pois, quando disse que “não temos eletrodoméstico nenhum, na reportagem da TVI, disse-o muito bem”, já que “o que lá está (no armazém) é da Cruz Vermelha/Revita, responsável pela gestão do apetrechamento das habitações”, explicou, dando ainda conta que, para além da Cruz Vermelha também os Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande e a SIC Esperança “solicitaram ao Município que acondicionasse os seus bens".
Valdemar Alves garantiu ainda que “a câmara nunca negou qualquer bem a ninguém” e “estão à disposição de todos os que têm precisado”, sejam ou não do concelho, já que “a câmara tem ajudado pessoas vítimas de outros concelhos”, confessou o autarca.
Quanto à conta solidária, “O dinheiro não está escondido” e tem um saldo atual de 358.642.76€, sendo que “os estratos foram apresentados em reunião do executivo municipal e estão publicados no sítio da internet do Município”, disse, explicando que “os únicos débitos na conta serviram para compra de animais a quem os solicitou”.
Segundo o edil, “não se deu ainda destino a este dinheiro porque inicialmente ainda não se sabia se iria haver necessidade de completar alguma falha no apoio à reconstrução de habitações”. Há ainda a registar que os anexos agrícolas, por não terem apoio suficiente alocado por parte do Ministério da Agricultura, “esta verba poderá ser aí destinada”, considerou. O autarca deu ainda conta que estão 23 casas a serem apetrechadas em Pedrógão Grande, oito em Castanheira de Pera e uma em Figueiró dos Vinhos.
Sobre as acusações de que ainda existem pessoas que não receberam qualquer ajuda, Valdemar Alves volta a refutar, garantindo que as pessoas que falaram para a reportagem da TVI dizendo que não receberem, “receberam”. “Andam com carros e motas novas e têm casas novas”, exemplificou, explicando que “foram indemnizados pelo Estado Português pelos prejuízos físicos e materiais”.
No que respeita ao armazém que tem as janelas tapadas com tijolos e a porta bloqueada com uma retroescavadora, Margarida Guedes, vice-presidente da câmara esclareceu que houve “miúdos que entraram por aquelas portas, partiram propriedade privada, destruíram, entraram e lá dentro fizeram estragos”.
Esta conferência de imprensa terminou com uma visita ao antigo pavilhão gimnodesportivo, agora transformado em armazém ocupado pela Cruz Vermelha, onde se podem ver frigoríficos e outros eletrodomésticos, uma folha A4 com o nome desta instituição, e onde está também material doado à Loja Social do Município antes dos incêndios.










