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São da Sertã e são amigos de longa data. Têm em comum uma paixão: as motas... Transformam e personalizam estes veículos de duas rodas e o que começou por ser uma brincadeira, depressa se tornou num caso sério e de reconhecimento mundial. Pedro Ferrão e João Ramos têm uma Yamaha XT 600 "B003" a constar nas 10 melhores motas personalizadas a nível mundial, numa eleição organizada pelo sítio da internet americano Bikebound.

Quando conseguiu, até porque o pai não o deixava ter uma mota, Pedro Ferrão comprou uma, mas como não gostava dela pediu ao seu amigo João que “lhe fizesse alguma coisa interessante”, recorda João Ramos. "Achei que a mota tinha pormenores que não deviam lá vir e fiz a proposta ao João”, complementa Pedro Ferrão. E a aventura começou nesta viagem até à oficina de João que recorda as palavras do Pedro a propor que “se calhar até fazíamos uma coisa engraçada e até melhor do que isto”. Depois da primeira transformação, “adquirimos uma mota e começámos a brincar”, diz João Ramos.
A história foi-se construindo com a modificação de uma outra mota, a do amigo Ricardo Santos, fotógrafo de profissão. “Tivemos um amigo que nos pediu para fazer também na dele e pusemo-la mais bonita. Fizemos uma mudança apenas estética, mudámos os componentes, o depósito, os pneus, pintura nova, novas jantes, tratámos os parafusos e esteticamente ficou nova”. É uma Yamaha e tem tido alguma exposição já que o fotógrafo a utiliza para alguns dos seus trabalhos e “tem tido boa aceitação”, sendo mesmo considerada uma das 10 melhores modificações pelo site americano Bikebound.

Pedro Ferrão e João Ramos chegam a este reconhecimento depois de, há alguns anos, terem enviado uma fotografia da primeira transformação. A partir de então o editor tem seguido o trabalho destes dois sertaginenses e em 2018 inseriu a Yamaha XT 600 no seu blog. A classificação que alcançou foi obtida através da contagem de visualizações, gostos, comentários e por conta do próprio editor.
Não fazem deste hobbie um negócio. “Vamos transformando para nós”, até porque o tempo falta para levar as modificações mais a sério. Mesmo assim retiram deste passatempo o máximo de prazer e “só mesmo por isso é que o fazemos”, acrescenta Pedro Ferrão que não conta as horas passadas à volta de cada exemplar que modifica.
Não trabalham com ninguém relacionado com o design. “Vamos experimentando e vamos fazendo até chegar à configuração que nos satisfaça” diz Pedro, acrescentando que o resultado surge após muitas tentativas e erros. Os moldes de algumas alterações são feitos em cartão pelos próprios e há trabalhos que chegam a demorar um ano até estarem conforme os seus gostos. As peças só saem da oficina para serem pintadas. Esse é o único trabalho que não fazem.

Para já a exposição mediática de terem uma mota nas dez melhores transformações “não nos trouxe nada, somente a nível de ego. É bom para nós, pois sentimos o nosso trabalho reconhecido e que as outras pessoas gostam”, diz Pedro.
Neste momento já estão a trabalhar num novo projeto e estão a modificar uma mota para correr nas pistas de terra. “Vamos mudar os pneus não alterando o sue diâmetro, vamos mudar a pintura e os componentes e dar-lhe um ar mais engraçado já que de origem é um bocadinho foleira”, descrevem, garantindo que “no final não terá nada a ver”. Este exemplar não tem dono e “vamos ser nós a usufruir dela” até porque “também temos gozo em sair à rua e sentir o que as pessoas pensam sobre o que fazemos”. João e Pedro não descartam contudo a possibilidade de ser vendida, caso haja algum interessado.

A visibilidade do trabalho destes dois amigos tem sido feita essencialmente por parte de quem adquire estas peças únicas. Se não estivessem na Sertã, um Município de interior, teriam mais visibilidade. “Aqui sentimos que estamos longe de tudo. Numa cidade, quem precisa de uma peça tem logo, aqui não. Queremos pintar a mota e temos que nos deslocar longe. Na cidade seria mais rápido”, dizem, mas, apesar de tudo “aqui temos outras vantagens como por exemplo a  tranquilidade”, elogiam.
Pedro Ferrão e João Ramos já têm uma marca própria. A Bold Motorcycles saiu de uma garagem, junto à Ribeira Grande na Sertã para o mundo graças à facilidade com que hoje se comunica com o mundo e se dá a conhecer um hobby.

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