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Ultimamente deixou de se olhar para o produto como um prato de festa para se fazer festa em seu torno, mas nunca deixou de ser a essência do povo do concelho da Sertã ou da zona do pinhal que, em tempo de agricultura fértil e de subsistência, subsistia com o que a terra dava.

MaranhoCasel3Nunca deixou de ser uma essência mas passou a ser essencial para a dinamização da economia. A aposta está a ser conseguida e nos dias de hoje poucos são os que, no país, não conhecem o maranho da Sertã e muitos os que o procuram anualmente no comércio e restauração do concelho.
O gosto é forte e acentuado e é isso que faz do maranho um prato diferente dos demais. Os de dentro conhecem o sabor e já não o estranham, os de fora entrenham, ou aos poucos ou de imediato o que as entranhas, neste caso da cabra, oferecem como refeição.
O projeto Dom Iguarias surge associado aos Talhos Casel. A aposta visou dar outra imagem, mais bonita e apresentar este produto em lojas gourmet. Na Sertã e na região é conhecido e todos sabem o que comporta. Patrícia Santos revela que de há quatro anos a esta parte houve um grande impulso comercial.


Rádio Condestável (RC) – Patrícia, há quantos anos se vende maranho nos Talhos Casel?
Patrícia Santos (PS) – Quando abrimos o talho, há quase 30 anos, o principal era a venda de carne fresca. Entretanto abrimos a salsicharia e começamos a comercializar o maranho.

RC – De que forma?
PS - Nessa altura vendia-se muito em fresco. Só há pouco tempo é que se começou a vender já cozido e sai muito melhor do que em cru.

RC – Sempre houve procura?
PS – Sim, mas em grande força há quatro anos, altura em que teve um grande impulso comercial. Antigamente não se vendia tanto e era mais as pessoas de cá, ou aquelas que vinham de fim-de-semana. Agora já se vende muito mais e temos procura de pessoas de fora do concelho.

RC – A que se deve o impulso comercial de que falou?
PS – Talvez porque tem sido divulgado em alguns eventos que se fazem na região, também pelo meu tio, da Santos e Marçal que foi um dos grandes impulsionadores do produto. Ultimamente, com os festivais e com toda a promoção que é feita pela câmara, nós também contribuímos nas feiras e degustações que fazemos para dar a conhecer o maranho, já se começa a pedir mais e as pessoas procuram porque tem um gosto muito especial. É um produto muito equilibrado, mesmo a nível nutricional.

RC – Na sua opinião, este impulso tem sido bom para o comércio?MaranhoCasel1
PS – Tem sido feita uma boa divulgação e o Festival de Gastronomia do Maranho impulsionou muito as vendas. É um produto que vai dinamizando a Sertã e vir cá comer e comprar maranho é muito bom.

RC – Têm fabrico próprio?
PS – Sim, desde há 30 anos, sempre muito cuidadosamente e sempre com muita força de vontade e carinho.

RC – A receita é vossa ou aprenderam com alguém?
PS – Toda a gente na Sertã faz a receita e nós tentámos equilibrá-lo da melhor forma possível, mesmo em termos de hortelã, porque há quem goste mais ou menos. É sempre o ponto crítico deste produto.

RC – Têm dificuldade em encontrar matéria-prima?
PS – A certa altura era complicado encontrar carne de cabra, agora já começa a ser mais simples, apesar de não ser um produto muito fácil. As bandougas também já se começam a encontrar em quantidades boas. Interessa é que o produto seja bom.

RC – Utilizam só a bandouga ou também tripa sintética?
PS – Não utilizamos tripa sintética, a não ser que o cliente nos peça. O Dom Maranho da Sertã é feito com pele natural.

RC – É complicado encontrar hortelã?
PS – Há alturas do ano em que há imensa. Temos clientes que carinhosamente nos dão hortelã e como é criada em casa é muito boa, mas noutras alturas é muito difícil.

RC – Como e quando surge o projeto Dom Iguarias?
PS – Surge em 2014 e porque o comércio na Sertã estagnou um pouco. Achávamos que tínhamos produto bom para podermos ter uma marca e encontrar um produto com o nosso nome.

RC – Surge assim o Dom Maranho…
PS – Sim. Vem da marca Dom Iguarias, de origem Portuguesa da Casel, e que faz os produtos que a Casel sempre fez. Este é um produto gourmet, tradicional, muito cuidado e com matéria-prima escolhida ao milímetro. Juntamente com o Dom Maranho lançámos o Dom Bucho Recheado e agora vamos lançar o Dom Paio de Lombo, com a pele natural do porco.

RC – Antes de existir a marca ‘Dom’, o maranho era só vendido no talho ou noutros locais?
PS – Não. O maranho que saía era só pela mão dos clientes. Agora já estamos em algumas lojas no país e no site www.domiguarias.com. Temos também restaurantes que comercializam o nosso produto.

MaranhoCasel5RC – Estão onde?
PS – Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Coimbra, Évora, entre outros.

RC – Foi fácil entrar no mercado fora de portas?
PS – O maranho é um produto muito específico. É muito simples quando fazemos a apresentação. Para quem conhece é fácil, mas quando não conhecem preparamos uma degustação e o maranho lá se vai encaminhando pelo caminho certo.

RC – Está a ter sucesso?
PS – Sim, o maranho é muito procurado e apesar de se pensar que é muito forte para o verão, não é pois é muito aromatizado e só com uma salada fica espetacular. Agora já começa a sair mais no verão.

RC – Onde é mais procurado?
PS – Em Lisboa, talvez porque haja muitas pessoas da região. Nas degustações sinto que no Norte não é tão fácil vender.

RC – Como são apresentados os produtos ‘Dom’?
PS – São embrulhados em paninhos brancos, devidamente embalados, com o nome do produto inscrito. Esta foi a maneira que encontrámos de comercializar o maranho de forma mais bonita. Ele é muito bom mas não é muito bonito à vista. Depois também porque antigamente, quando não havia bandougas suficientes, o maranho era feito dentro de panos brancos.

RC – Como tem sido a aceitação das pessoas?
PS – Tem sido muito boa. Não é só o pano, tem uma etiqueta, estudo nutricional, um pouco da história do maranho, validade e tudo o que é preciso. Basta dizer que é o maranho da Sertã e pouco mais.


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