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No próximo dia 31 de maio, Oleiros vai ser palco da apresentação da Confraria Gastronómica do Cabrito Estonado, numa ação integrada na Semana Gastronómica da Beira Baixa – Terras de Excelência, sendo organizada pelo Município de Oleiros, em parceria com a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa. A iniciativa é apoiada no âmbito do PROVERE – Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos.

A partir de então, outros caminhos se abrirão, acredita a autarquia oleirense. Caso a afluência de visitantes aumente ainda mais, serão necessárias outras condições, mais matéria-prima e consequentemente um aumento na economia concelhia.
O impulso está lançado e a edilidade está apostada em apoiar todos os projetos ligados à caprinicultura e afins. Só resta que apareçam ideias que se solidifiquem no terreno e gente interessada em trabalhar a sério e com vontade real.

A dois dias de mais um passo rumo a um futuro que se acredita ser mais promissor para Oleiros, a Rádio Condestável foi sentir o pulsar da autarquia e na voz do presidente Fernando Jorge, reforçar esta ideia que pode atrair vários negócios.

Rádio Condestável (RC) – Presidente, a confraria é a melhor forma de promover o cabrito estonado?
Presidente Fernando Jorge (FJ) – É uma das formas. Ao longo do tempo temos tentado promover o cabrito estonado de diversas formas. Esta confraria foi algo que, desde que cheguei, me foi apresentado como um desejo por parte de diversas pessoas que se têm dedicado de corpo e alma à terra, como por exemplo o piloto aviador António Fernandes que inclusivamente me entregou uns estatutos para podermos ter aqui uma confraria. Tudo demora tempo mas chegou agora o momento. Temos apoio de diversas pessoas e entidades e esta é uma forma de promover o concelho e a gastronomia.

RC – O que se pretende, uma massificação ou uma excelência?
FJ – Uma excelência e por diversas razões, até porque ainda não temos condições de ter algo parecido com o Leitão da Bairrada, pois não há muito produto que permita uma massificação. Por outro lado é importante perceber que este prato seja confecionado ao longo do ano e que mantenha esta qualidade reconhecida e completamente diferente do que se faz noutras zonas do país, já que o nosso cabrito tem uma qualidade que não têm os de outras zonas do país.

RC – A câmara tem tentado incutir vontade nos produtores para o fomento da caprinicultura?
FJ – Sim. Deslocamo-nos com alguma regularidade às freguesias e um dos itens com que nos debatemos é tentar aumentar a produção com a criação de mais caprinos para termos cabritos que respondam às necessidades, até porque há alturas em que começam a escassear. Atendendo à divulgação que tem sido feita, por vezes já não se consegue arranjar a quantidade que era desejável.

RC – A produção de caprinos pode originar uma economia paralela?
FJ – É verdade. Mas quando comecei a apostar neste tipo de economia local também estava a pensar na defesa da própria floresta. A cabra iria ajudar bastante a diminuir os matos. Por outro lado o pastoreio iria ajudar no controlo de um incêndio que pudesse surgir, não só porque as matas estariam mais limpas, mas também mais vigiadas.

RC – Mas o facto de estarmos num concelho com população envelhecida não ajuda.cabrito estonado(1)
FJ – Pois não e essa população também já merece estar tranquila nas suas casas, daí ser importante conseguir captar mais gente para o concelho que se dedique a esta indústria. Estou convencido que iriam ter uma vida mais saudável e mais lucrativa do que a que têm noutros locais do país.

RC – Então o que faz falta para que isso aconteça?
FJ – Não sei. Nós abrimos as portas, ajudamos a construir os projetos, arranjamos os financiamentos, mas há muito poucas pessoas interessadas em avançar com este tipo de projetos.
Há outras ideias que envolvem produtos locais e com as quais podemos dinamizar os produtos locais e que se estão a estragar. Já falei com jovens daqui para ver se querem abarcar esta ideia, do gado caprino e de outros produtos.

RC – O facto de o Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) estar envolvido neste projeto e de ter gente jovem poderá ajudar?
FJ – Só conseguimos ter um desenvolvimento integrado se conseguirmos juntar o conhecimento científico com o conhecimento empírico. Temos pessoas que sabem muito de muita coisa e podem ser substancialmente ajudados pelo conhecimento técnico-científico. Hoje em dia os politécnicos e as universidades têm um papel muito importante no desenvolvimento regional do país. O nosso entendimento é excelente. Temos estado disponíveis a ajudar o IPCB e outros que se disponibilizem a vir ao concelho explorar os nossos recursos.

RC – Relativamente à confraria, já existem confrades interessados em aderir?
FJ – Dia 31 de maio iremos fazer a constituição da escritura pública. Já decorreu uma reunião com os restaurantes do concelho e todos querem fazer parte como fundadores desta confraria. Seguir-se-ão convites a outras pessoas interessadas em aderir. A nível da restauração a adesão é de 100%.

RC – Sente assim que esta confraria pode ser uma mola para o desenvolvimento do concelho?
FJ – A ideia é essa. Divulgar o concelho e trazer mais receita. O importante é que venham pessoas para a restauração e que depois consumam outros produtos locais. É algo que pode trazer vantagens para todos.

RC – Há muita gente a procurar o cabrito estonado?
FJ – O que sei é que a regularidade é diária e todos os restaurantes têm encomendas com muita frequência. Aos fins-de-semana há sempre excursões e durante a semana há pessoas que se deslocam de propósito aqui. Vêm da Figueira da Foz, do Porto, de Coimbra e de outros locais do país, o que demonstra um aumento da procura.

RC – Ao nível do abate. Ainda se tem que ir a Alcains?
FJ – Sim, mas esse aspeto é outro dos nossos objetivos. Se conseguíssemos ter aqui uma produção significativa, até podíamos responder a apelos de uma restauração fora do concelho e mesmo internacionalizar o produto pois há interessados no Brasil, Angola e Moçambique. Um matadouro em Oleiros traria mais postos de trabalho e dar-nos-ia uma outra dinâmica.

RC – E há interessados?
FJ – Não é fácil. Mesmo pessoas que se mostram inicialmente entusiasmadas em iniciar projetos, a certa altura acabam por dar o dito por não dito. Mas não sou pessoa de desistir até que não tenha mais saída. Acho que estamos num momento de oportunidades e é bom que as pessoas saibam que existem muitas. É preciso é que as queiram queiram.

RC – Este é um diamante que a pouco e pouco está a ser lapidado?
FJ – Estamos num mundo de oportunidades, com muita força neste momento. Há que saber aproveitar. Acredito que a nossa juventude e os que estão desempregados, se quiserem abraçar projetos no interior, existem verbas significativas de apoio para levarem a bom termo as suas ideias. Em Oleiros temos um gabinete específico para apoiar essas pessoas e que pode responder a qualquer tipo de situação.

 


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