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A Saúde mais próxima das pessoas…

O concelho da Sertã tem, há cerca de um ano, uma Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), a qual surgiu por proposta da Equipa Regional do Centro.

UCC Funciona no Centro de Saúde da Sertã e tem diversas valências. Agarrou em projetos já existentes e está a desenvolvê-los no terreno. Outros estão em fase de arranque e no terreno alguns estudos para implementar mais projetos ligados à comunidade sertaginense. 

Esta unidade não veio substituir qualquer serviço, apenas agregou os existentes e por isso a equipa de trabalho é multiprofissional.
A Rádio Condestável esteve à conversa com a enfermeira Ana Isabel, responsável por este novo serviço existente no Centro de Saúde da Sertã.

 

Rádio Condestável (RC) – Enfermeira Ana Isabel, o que é uma Unidade de Cuidados na Comunidade
Enfermeira Ana Isabel (Enf. AI) – É uma unidade que engloba vários projetos dirigidos à comunidade, famílias, grupos, jovens ou pessoas mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo e que precisem de algum tipo de cuidados de saúde.

RC - Qual é o objetivo principal?
Enf. AI – O objetivo é obter mais ganhos em termos de saúde. Atuamos principalmente ao nível da prevenção. As pessoas ficam mais alerta e sabem depois onde se podem dirigir quando têm um problema. Acabamos por estar muito junto dos idosos e das crianças nas escolas, até para termos ganhos em saúde mais tarde.

RC – Há quanto tempo existe este serviço no Centro de Saúde da Sertã?
Enf. AI – Desde 2 de junho de 2014.

RC – E por quem foi proposta?
Enf.AI – Pela Equipa Regional do Centro que está a coordenar as UCC na Região Centro. Foi proposto à Unidade Local de Saúde (ULS), neste caso de Castelo Branco. Feita a candidatura, nasceu esta UCC.

RC – Que profissionais a compõem?
Enf. AI – Temos uma equipa multiprofissional que envolve enfermeiros, assistentes técnicos operacionais, médicos, psicóloga, nutricionista, assistente social, fisioterapeuta, entre outros.

RC – Dependendo do trabalho que se faz na comunidade.
Enf. AI – Sim, e também depende das necessidades de cada projeto.

RC – Quando começaram a delinear o projeto, houve algum trabalho de preparação?
Enf. AI – Tivemos que, inicialmente fazer um plano de ação e tivemos que recorrer a outras unidades no sentido de perceber onde trabalhavam e como estavam organizadas.

RC – Existe algum gabinete específico onde a pessoa se possa dirigir?Centro saude serta
Enf. AI – Quem precise de alguma informação pode dirigir-se ao Centro de Saúde da Sertã, onde estamos fisicamente com um gabinete, no antigo laboratório de análises.

RC – As pessoas têm conhecimento da existência da UCC Sertã?

Enf. AI – Ainda não conseguimos fazer uma divulgação acertada. Conhecem-nos as pessoas que estão envolvidas nos projetos que desenvolvemos.

RC – E que projetos são esses?
Enf. AI – Vários. Por exemplo, agarrámos em projetos que já existiam, como é o caso da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ), o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI), que trabalha com crianças até aos 6 anos e que tenham problemas de desenvolvimento, a preparação para o parto (que já existia). Temos depois outros projetos em fase de arranque, sendo que estamos a estudar onde podemos atuar junto da comunidade.

RC – E que mais?

Enf. AI - Existem depois domicílios e o gabinete jovem que funciona nas escolas e que está ligado ao Plano Nacional de Saúde Escolar. Temos uma consulta mensal de alcoologia, em que a pessoa pode vir por solicitação do tribunal ou por vontade própria e um programa “Mulher Mastectomizada”.

RC – Esta UCC veio substituir algum serviço?
Enf. AI – Não. Os serviços que existiam foram agregados à UCC. A única coisa que mudou foi que, em vez dos projetos estarem ligados ao Centro de Saúde, ficaram ligados à UCC da Sertã.

RC – Em concreto, e neste quase um ano de vida, o que já foi feito junto da comunidade?
Enf. AI – Temos continuado com a realização dos cursos de preparação para o parto com a enfermeira Iria, especialista em saúde materna e obstétrica. Na CPCJ e SNIPI as crianças são sinalizadas e depois acompanhadas por vários parceiros da comunidade. Nas escolas são feitas atividades propostas por nós ou pela própria entidade escolar. Existe ainda a equipa de cuidados continuados integrados ou domicílios que agora requerem mais acompanhamento. Algumas atividades juntamente com a Academia Sénior, com sessões de educação. No dia da Incontinência Urinária fizemos uma ação de formação. No que diz respeito ao projeto Cuidar dos Cuidadores agimos junto de quem está a cuidar, principalmente com as IPSS.

UCCAlimantacaosaudavelRC – Falemos um pouco mais desse projeto.
Enf. AI – Por vezes a pessoa vê-se, de um momento para o outro, com alguém a seu cargo que tem uma demência e não tem a perceção dos cuidados que a pessoa necessita. Nós ajudamos dando informações. Por exemplo, uma pessoa que fique acamada pode vir a ter problemas respiratórios, intestinais, circulatórios e há que atuar na prevenção dessas situações.

RC – Quando surge um problema a pessoa é encaminhada?
Enf. AI – Sim. Se virmos que não conseguimos dar resposta aqui encaminhamos para as entidades que dão resposta à situação em causa.

RC – Na população mais idosa, que problemas são os mais frequentes?
Enf. AI – É difícil dizer pois têm muitos problemas interrelacionados. Tomam muitos medicamentos e estão maioritariamente sozinhos.

RC – Relativamente ao Dia da Incontinência Urinária, o que foi feito em concreto e qual foi a adesão?
Enf. AI – Fornecemos várias informações sobre exercícios que as pessoas podem fazer, sobre sinais de alerta e aderiram 20 pessoas.

RC – Neste caso em concreto qual foi a reação das pessoas?
Enf. AI – Algumas pensavam que vinham fazer um rastreio, mas neste caso não se faz. No final acabaram por gostar e sabemos que começaram a fazer os exercícios que aqui foram explicados, já com respostas positivas e com redução de perdas de urina.

RC – Houve então um acompanhamento à posteriori?
Enf. AI – Sim. Após a sessão pedi às pessoas interessadas para virem depois individualmente.

RC - Um dos projetos no terreno é o "Independências” e está a ser desenvolvido no Instituto Vaz Serra, IndependenciasIVSem Cernache do Bonjardim. Que projeto é este?
Enf. AI - Foi proposto pela Administração Regional de Saúde do Centro e envolve vários anos letivos. Tem a ver com a não adesão às dependências, como por exemplo, álcool, tabaco e outras drogas. São feitos trabalhos direcionados para o 5º ano em que os alunos são convidados a escrever uma carta dirigida a alguém a alertar para os malefícios de uma qualquer dependência. No 6º ano são tratados os malefícios em causa através de uma sessão de educação para a saúde com a enfermeira Susana André e nos 8º e 9º anos é feito um cartaz ou um logotipo sobre a temática em questão.

RC – E rastreios, estão a fazer?
Enf. AI – Ainda não.

RC – Mas podem associar-se a outras iniciativas?
Enf. AI – Sim e já aconteceu no âmbito do Dia da Diabetes em que fizemos rastreio numa atividade promovida pela Câmara Municipal da Sertã.

RC – A UCC está quase a completar um ano de vida. Para o aniversário existe já alguma iniciativa preparada?
Enf. AI – Iremos inaugurar o espaço e realizar uma sessão de informação para com a comunidade onde apresentaremos o balanço deste ano e deixaremos ideias sobre o que vamos continuar a fazer. Estamos ainda a planear um espaço de refleção que versará sobre o tipo de comunidade e quais os recursos que temos para oferecer.


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